
No âmbito da parceria estabelecida entre a biblioteca escolar e o Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE), uma turma do 7.º ano, da professora Marta Aguiar, participou na oficina “Primeira Página”, orientada por Susana Fernando, na Biblioteca dos Periódicos, instalada na antiga Escola Secundária Ramalho Ortigão.
Integrada no plano anual de atividades da biblioteca escolar, esta iniciativa articulou-se com vários projetos dedicados ao desenvolvimento das literacias e da educação para os media, entre os quais “7 Dias com os Media 2026”, “Tecnologia em Ação”, “ProLiteracias | InfoLab: pensamento crítico em media e informação”, “VOZ do Infante” e “Artes em Rede”, reforçando o compromisso do Agrupamento com a formação de cidadãos críticos, criativos e informados.
A oficina convidou os alunos a entrar no fascinante universo da imprensa escrita, começando pela descoberta da importância da primeira página de um jornal. Mais do que um simples rosto da publicação, a primeira página constitui o espaço onde se destacam os acontecimentos considerados mais relevantes do dia, despertando a curiosidade dos leitores através de títulos apelativos, subtítulos informativos, fotografias, ilustrações e outros elementos gráficos cuidadosamente organizados.
A partir da consulta de exemplares históricos pertencentes ao vasto espólio da Biblioteca dos Periódicos — entre os quais o Jornal de Notícias, O Primeiro de Janeiro, O Comércio do Porto e O Portuense — os alunos exploraram a evolução gráfica dos jornais, identificando os elementos que compõem o cabeçalho, como o título da publicação, a data, o número da edição, o local de publicação e outros aspetos característicos da identidade de um periódico.
Depois deste momento de descoberta, teve início a componente prática da oficina. Recorrendo a técnicas de recorte, composição gráfica e colagem, os participantes foram desafiados a construir a primeira página de um jornal imaginário, dando forma a notícias de um dia que ainda está por acontecer. Entre criatividade, humor, imaginação e sentido crítico, nasceram capas originais onde se cruzaram acontecimentos fictícios, manchetes surpreendentes e imagens cuidadosamente selecionadas para captar a atenção do leitor.
Num ambiente descontraído e muito participativo, a atividade assumiu a forma de um verdadeiro atelier criativo, onde a expressão artística se colocou ao serviço da comunicação. Através da experimentação, da composição visual e da organização da informação, os alunos compreenderam que o modo como uma notícia é apresentada influencia a forma como é lida, interpretada e valorizada pelo público.
A biblioteca escolar e a professora de Artes Visuais desempenharam um papel fundamental na preparação e articulação desta iniciativa, promovendo o diálogo entre diferentes áreas curriculares e estabelecendo uma ponte entre as Artes, o Português, a Cidadania e Desenvolvimento e a Educação para os Media. Esta colaboração permitiu integrar competências de leitura crítica da informação, comunicação visual, criatividade e pensamento crítico numa experiência de aprendizagem rica e significativa.
Ao longo da sessão, os alunos tiveram ainda oportunidade de contactar com um importante espaço cultural da cidade, conhecendo de perto um património documental de enorme valor histórico. A Biblioteca dos Periódicos revelou-se um lugar privilegiado para compreender a evolução da imprensa portuguesa e o papel desempenhado pelos jornais na construção da memória coletiva e da opinião pública.
Mais do que aprender a construir uma primeira página, os participantes refletiram sobre questões essenciais da atualidade: como se escolhem as notícias? O que faz uma manchete captar a atenção? Que responsabilidade têm os jornalistas na seleção da informação? Como podem as imagens influenciar a leitura de um acontecimento?
Estas questões constituíram o ponto de partida para um exercício de educação para os media que incentivou os alunos a olhar para os jornais — impressos e digitais — de forma mais consciente, crítica e informada.
A alegria, o entusiasmo e o espírito colaborativo que marcaram toda a oficina demonstraram, uma vez mais, que aprender pode ser uma experiência criativa, participativa e motivadora. Ao trabalhar em pequenos grupos, trocar ideias e construir coletivamente as suas páginas de jornal, os alunos desenvolveram competências de comunicação, cooperação, resolução de problemas e expressão artística, num ambiente de verdadeira oficina de criação.
Com iniciativas como esta, a biblioteca escolar continua a afirmar-se como um espaço de encontro entre leitura, informação, arte e cidadania, aproximando os alunos dos meios de comunicação social e promovendo uma relação mais consciente com a informação que diariamente circula na sociedade. Porque formar leitores críticos é também formar cidadãos capazes de interpretar, questionar e comunicar o mundo que os rodeia — e, quem sabe, imaginar aquele que ainda está por escrever.


















