“Semear a Liberdade”: um projeto colaborativo que fez florescer os valores de Abril

No âmbito da Semana da Leitura e das Comemorações do 25 de Abril, a Biblioteca Escolar (BE) promoveu o projeto colaborativo “Semear a Liberdade”, uma iniciativa da professora Fernanda Castro, membro da equipa da BE, que envolveu diferentes faixas etárias de alunos, docentes, assistentes e estruturas do agrupamento num percurso de aprendizagem interdisciplinar, criativo e participativo, em torno dos valores da Revolução dos Cravos. Esta proposta articulou-se ainda com a atividade do Plano Anual de Atividades da biblioteca “Puzzle das Ideias – leitura, escrita e ilustração”, concebida para integrar leitura, escrita e expressão visual numa dinâmica interdisciplinar que desenvolve competências de interpretação, criação textual e ilustração.

Partindo da ideia simbólica de semear cravos, flor que se tornou um dos maiores símbolos da conquista da liberdade em Portugal, o projeto procurou promover a reflexão sobre os ideais de liberdade, democracia, justiça social, solidariedade, igualdade e paz, aproximando os alunos da memória histórica do 25 de Abril de 1974 através de experiências concretas e significativas.

A primeira etapa teve início com a sementeira de cravos pelos alunos do Jardim de Infância (JI) e do 1.º ciclo da Escola do Bom Sucesso. Ao longo dos meses, as crianças acompanharam diariamente o desenvolvimento das plantas, observando fenómenos naturais como a germinação, o crescimento e a floração. Esta dimensão do projeto permitiu trabalhar conteúdos relacionados com a educação ambiental, a observação científica e o respeito pela natureza, em consonância com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nomeadamente os relacionados com a educação de qualidade, a sustentabilidade ambiental e a promoção de comunidades mais conscientes e participativas.

A Associação de Estudantes associou-se igualmente à iniciativa, colaborando com vários grupos do JI durante a fase da sementeira, num exemplo inspirador de entreajuda e cooperação entre diferentes níveis de ensino.

Paralelamente, surgiu o desafio de criar cravos que pudessem permanecer para além do ciclo natural da planta, perpetuando simbolicamente a memória e os valores de Abril. Neste contexto, a biblioteca escolar lançou à professora de Educação Visual, Marta de Aguiar, o desafio de transformar esta ideia num projeto artístico coletivo.

Dessa colaboração nasceram dois grandes painéis em tecido, concebidos como uma metáfora da terra fértil onde germinam as sementes da liberdade. Os alunos do JI e do 7.º ano elaboraram desenhos de cravos, dos quais foram selecionados dois para integrar os painéis. Posteriormente, os alunos do 3.º ciclo, com a colaboração do JI e 1.º ciclo, participaram na pintura e construção das telas, desenvolvendo competências artísticas, técnicas e criativas.

Em simultâneo, alunos das três escolas do agrupamento foram convidados a produzir mensagens alusivas ao 25 de Abril, refletindo sobre os valores da democracia, da liberdade e da cidadania. As frases, registadas em pequenos pedaços de tecido, foram integradas nos painéis juntamente com os cravos, criando uma obra coletiva que reúne múltiplas vozes, experiências e perspetivas.

Este projeto constituiu um notável exemplo de articulação vertical e interdisciplinar, envolvendo diferentes ciclos de ensino e diversas áreas curriculares, entre as quais Educação Visual, História, Cidadania e Desenvolvimento, Português, Estudo do Meio e Educação Pré-Escolar. Através de metodologias ativas e colaborativas, os alunos aprenderam fazendo, experimentando, criando, investigando e refletindo, assumindo um papel central na construção do conhecimento.

Mais do que uma atividade comemorativa, “Semear a Liberdade” promoveu aprendizagens essenciais relacionadas com a educação para a cidadania, a consciência histórica, a expressão artística, a sustentabilidade, o trabalho em equipa e a valorização da memória coletiva. O projeto permitiu compreender que os valores conquistados em Abril não são um legado adquirido para sempre, mas antes sementes que importa continuar a cultivar diariamente.

Após a sua conclusão, os dois painéis passaram a circular pelas escolas do agrupamento, permitindo que toda a comunidade escolar contacte com esta obra coletiva. Tal como os cravos que florescem na primavera, também os valores de Abril continuam a renovar-se através das gerações, transformando-se em novas sementes de liberdade, participação e esperança.

Porque a liberdade, tal como uma flor, precisa de ser cuidada para continuar a florescer.

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